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05/02/2012 | 23h00

Mercado e Negócios

Marchionne considera trazer Tetrafuel aos EUA

Executivo garante que não falta caixa para investir em tecnologia


Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB
De Las Vegas, Estados Unidos


“Temos caixa suficiente para investir nas tecnologias que serão necessárias para reduzir emissões no futuro. E também já temos muitas dessas tecnologias desenvolvidas, como o sistema Tetrafuel que você conhece melhor do que eu no Brasil.” Assim Sergio Marchinne, presidente dos grupos Fiat e Chrysler, respondeu em coletiva a jornalistas americanos ao questionamento de Automotive Business sobre como levantaria recursos para investir no desenvolvimento de novas tecnologias.

O Tetrafuel foi projetado no Brasil pelo braço de componentes automotivos do Grupo Fiat, a Magneti Marelli. Adotado pela primeira vez em 2006 no Fiat Siena, o Tetrafuel é um sistema multicombustível, permite que o motor funcione com gás natural ou 100% de gasolina, 100% de etanol ou a mistura dos dois em qualquer proporção. Marchionne avalia que a invenção brasileira pode, sim, ser usada nos Estados Unidos para cumprir as apertadas metas de economia de combustível e emissões. “É possível, está pronto, podemos usar.” Marchionne torce para que o país passe a incentivar o maior uso de gás natural, capaz de cortar em até 25% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com a gasolina. “O acesso a grandes reservas nos Estados Unidos e Canadá pode ajudar a reduzir a dependência de petróleo importado em um curto período de tempo. Além disso, o gás é mais amigável ao meio ambiente e tem significativa vantagem de preço para os consumidores”, avalia. O executivo se apoia em recente discurso do presidente americano Barack Obama, que prometeu focar esforços no desenvolvimento de motores a gás no país.

O chefe da Chrysler e Fiat avalia que as apertadas metas impostas pelo governo americano, como o consumo médio por fabricante de 54,5 milhas por galão (algo como 23,4 km/l) até 2025, serão atingidas de uma forma ou de outra. “Se não pudermos cumprir objetivos mais de uma década adiante será melhor fecharmos as portas e fazer outras coisas”, brincou Marchionne. Para ele, o futuro será de múltiplas escolhas: “Minha melhor leitura do futuro é que as respostas para bater as metas de 2025 envolvem o uso de múltiplas tecnologias.”

Marchionne reconhece, no entanto, que as opções estão ficando limitadas: “Os carros elétricos continuarão a ter papel marginal, pois não têm custo adequado ao mercado. Por isso o gás tem melhores chances.” O diesel, para o executivo, também está se tornando inviável diante das legislações de emissões de poluentes cada vez mais apertadas. “Um carro com motor diesel Euro 6 como o Fiat Panda, por exemplo, se torna inviável, pois o custo da tecnologia está muito acima do potencial de preço do carro.

Com custos crescentes, o fato é que Marchionne precisa apostar nas tecnologias disponíveis, já que os lucros da Chrysler ainda são frágeis e a Fiat perde dinheiro na Europa. Sobre como superar esse desafio, no entanto, o executivo preferiu não falar.

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